sexta-feira, 22 de maio de 2015

National Gallery


esquerdalhismo alucinado

O mundo está justamente chocado com a destruição ordenada pelos bandidos do Estado Islâmico: cidades da Mesopotâmia destruídas, ameaças sobre as pirâmides do Egito, muralhas e estátuas do Médio Oriente reduzidas a pó. Há antecedentes próximos. Durante a Revolução Cultural dos anos 60, o regime de Mao destruiu a quase totalidade dos símbolos da grande cultura chinesa. Dos 2700 templos do Tibete ficaram apenas 78, sem falar dos pagodes de Pequim, das igrejas de Sichuan, das estátuas milenares, das tabuletas de velhas lojas de Xangai, das bibliotecas que os Guardas Vermelhos incendiaram ou dos escritores e músicos presos ou levados ao suicídio. Na altura, Sartre, que já justificara o silenciamento de Pasternak na URSS, achou que a China vivia “a verdadeira revolução” (Chomsky secundava-o) que triunfava sobre o passado e criava um “novo homem”. Isto não mudou muito.

daqui

espanta só agora terem chegado a esta conclusão

Kazim Sadeghi, um líder religioso no Irão, defendeu que os terramotos são provocados pela "promiscuidade que se espalha pela sociedade" e pelas mulheres que "não se vestem de forma apropriada". daqui


escala 6 a 6.9 em Richter

mantimentos no bunker:

- 7 conservas de atum
- três Penthouses dos anos setenta
- primeiro disco do Nick Drake
- meia dúzia de Dudikoffs e outra meia dúzia de Sjostroms
- uma grade de minis
- Dom Quixote


escala 7 a 7.9 em Richter

mantimentos no bunker:

- 30 conservas de atum
- meia dúzia de sacos de batatas e 5 bacalhaus inteiros, já demolhados
- 20 maços de tabaco
- colecção completa do Scott Walker
- todas as curtas metragens dos Lumiere
- 3 grades de minis
- internet de banda larga
- Dom Quixote


escala 8 a 8.9 em Richter

mantimentos no bunker:

- 150 conservas de atum
- 20 kilos de hortaliça, 10 sacos de batatas, 15 bacalhaus inteiros, 50 mousses, 100 kilos de salpicão, 15 alheiras de Mirandela, jaquinzinhos de Olhão em 10 sacos cheios de gelo
- 40 maços de tabaco
- trazer em camiões todos os discos produzidos pela Motown
- 10 grades de minis
- todos os filmes produzidos durante a administração Reagan
- Sasha Grey para rodar
- Dom Quixote


escala 10 ou maior em Richter. Fim do Mundo à superfície

- com pás e ancinhos, escavar um túnel até ao centro da terra
- bronzeador 150
- 1 milhão de quilos de peixe, 7 mil vacas, oliveiras inteiras em camiões, 4 mil pipas de vinho das adegas do Douro, 500 mil leitre cremes já queimados
- 250 maços de tabaco
- raptar o Brian Wilson, Neil Hannon e a Frances Cobain. Impedir a entrada do Dylan
- 700 mil grades de mini
- levar a Cinemateca inteira para dentro do bunker
- Sasha Grey para rodar
- Dom Quixote


-

quinta-feira, 21 de maio de 2015


voltando atrás: Documentário existe e anda por aí. O Borges é que não o estreia.






salve-se quem puder


hautes études artistiques.

Film critics appear bizarrely enthusiastic about this three-hour documentary. Wiseman is a revered director, whose films observe places and people with what is hailed as acute sensitivity and intelligence. All I can say is that if he brings the same level of insight to his other subjects that he does to National Gallery, he has to be the most superficial documentary maker in the world.
There is no real insight into the National Gallery in Wiseman’s film and absolutely no eye for art. He takes three hours to deliver a massive puff for the museum’s staff, laced with patronising and uninterested glimpses of its public, and fails to communicate any of the infinite joys paintings can bring.
God it’s boring. I love the National Gallery and I was squirming in my seat. Why doesn’t Wiseman let the paintings speak for themselves? Again and again, he films audiences listening to curators or guides give lectures about the National Gallery’s works of art. One such talk would make sense in a portrait of the museum. But why repeat the exercise, again and again – and again?
The effect is crushingly elitist. This film sees the National Gallery from the management’s perspective. Members of the public are shown looking at art, and listening to the wise words of the experts, but where are our flighty, quirky, personal experiences and perceptions? It looks to me as if Wiseman has let the museum’s press officers tell him what to film. Since the National Gallery employs the least pushy press team around, this guy must be a remarkable pushover.
Or perhaps he was simply charmed by the place, and let it all wash over him. I have met many of the people in the film and share his respect for them. But surely if Wiseman’s theme is the institution, he should bring some scepticism and rigour to his enquiry?
My real objection to the film’s slavish attention to official lectures and comments is that it all gets in the way of the art. Very little of the talk is inspiring. It’s the run of the mill educational stuff that I sidestep rooms to avoid. This ordinariness is revealed when Wiseman – in a genuinely comic moment – films the TV critic Matthew Collings making a film about Turner’s The Fighting Temeraire. Collings is sharp, succinct and provocative. This moment of interesting art talk makes you realise why he is on telly and the National Gallery’s curators are not.
This is not to say that Wiseman should have made a conventional didactic art film with a smooth front man. Rather, the freedom of cinema might have let him get us much closer to the paintings – into them, even. A far better film about a great art museum is Alexander Sokurov’s Russian Ark, a passionate and visionary portrait of the Hermitage in St Petersburg. Then again, Jean-Luc Godard says more about art, history and museums by filming his characters cheekily running through the Louvre in his 1964 film Bande à Part than Wiseman manages in three hours of aimless waffle.
If Wiseman saw young people running in the National Gallery he would alert a guard. This is a smug film that smothers high culture in deference. You’d be better off spending those three hours in the National Gallery looking at paintings, without anyone to tell you what to think – pure bliss.

daqui

De vez em quando, muito brevemente, lá surgem momentos de respiração para quebrar com a verborreia "informativa": aqueles onde se mostra o trabalho dos entalhadores e das equipas de restauro, sozinhos nas suas oficinas, em silêncio, meticulosa e delicadamente laborando nas obras dos mestres. Mas passam depressa, há que voltar á rotina dos infinitos campos/contra campos entre os quadros e o olhar "cultural" do público, não dispensando, claro está, as "preciosas" aulas dos guias para o povão ( salvam-se aquelas dadas ás crianças, momentos de recital romanesco). De resto, é só merda. Zooms inenarráveis, planos de fora do museu que estão ali apenas para sair um bocadinho do mesmo, poemas de constelações, e, sobretudo, uma autêntica nulidade de perspectivas: nem da do público, reduzido a meros ouvintes atenciosos e maravilhados com as doutrinas dos senhores curadores, nem da destes, apenas e só como meros cabeças pensantes. Termina ainda melhor: com um bailado encharcado em bebedeira de "cultura", como se já não a houvesse bastante. Do mesmo realizador de monstros (no bom sentido) Titicut Follies, do Domestic Violence ou do Juvenile Court. Mas pronto, é Wiseman, é documentário, é intocável, vamos todos bater punheta. Leviathan, Room 27389, aquela coisa do Oppenheimer, agora este...isto anda bonito no documentário, anda. 

Frederico, ouve: já li aqueles livros da Taschen e já tive Metodologias de Análise de imagem. Inté.





quarta-feira, 20 de maio de 2015

cahiers de conneries

Napalm e co-autor Daniel Pereira, em cada dez filmes, concordam com um ou , no máximo, dois. Este ano, pelos vistos, o comum acordo limita-se ao Godard. De resto, é só posições a eito extremadas. Isto também se aplica a outras cousas "na vida em geral", mas há pelo menos três tópicos que tanto Napalm como Pereira dão o seu aval de sintonia. A saber: os Beach Boys terem vindo directamente do Céu, o valor do Jorge Jesus e a caganeira polida e anestesiante dos filmes de foda da Sascha Grey. Puta do caralho, quero grão e sujidade nessas imagens. Sendo assim, aqui vai o conseil des deux sobre filmes estreados nos últimos anos.

La vie d'Adèle:

Napalm: Magnífico!
Pereira: Merda

Tree of Life:

Napalm: Ulra-merda
Pereira: Obra-prima!

American Sniper:

Napalm: Uma vergonha, Clint
Pereira: 'celente!

J. Edgar:

Napalm: Brilhante, Clint
Pereira: Encolher de ombros

Blackhat:

Napalm: Uma vergonha, Michael
Pereira: Filmão!

Public Enemies:

Napalm: Brilhante, Michael
Pereira: pó caralho

Wolf of Wall Street: (aplica-se a todos os últimos Scorsese)

Napalm: Filmão!
Pereira: filme de um gajo que 'tá a ficar chehé

Under the skin:

Napalm: 'celente!
Pereira: andei com o cursor para a frente só pa ver as cenas em que a Scarlett ficava nua

A Última Vez que vi Macau:

Napalm: muito bom!
Pereira: encolher de ombros

Tabu:

Napalm: quasi-obra-prima
Pereira: era matá-lo!

La Jalousie:

Napalm: ainda pior que os Tindersticks
Pereira: bem bom!

Django Unchained:

Napalm: bem bom!
Pereira: boa merda é o que é

Maps to the stars:

Napalm: lindo!
Pereira: fracote

Inherent Vice:

Napalm: de joelhos, a beijar os pés de PTA
Pereira: farto daquela merda

Killer Joe:

Napalm: melhor filme americano da década
Pereira: então não é, ó ou ó

Silver Linings Playbook:

Napalm: inane
Pereira: fofo!

Restless:

Napalm: não tens vergonha, Gus? Ide escrever poemas para trás do Pavilhão C
Pereira: glorioso

Passion:

Napalm: o cinema pode acabar aqui
Pereira: lol.

e deve haver mais.




"American Sniper" e "Blackhat"


Textos um dia destes, se houver paciência. Não vai ser bonito.

de boa saúde e recomenda-se

















As notícias da "morte do cinema" são não só exageradas como parvas. Só nos últimos quarenta anos há quarenta a cinquenta tipos americanos que fizeram melhor que isto. São tempos de fartura, afinal.