quinta-feira, 16 de julho de 2015

Alemanha, 1924


Para a História ficarão muitas coisas desta crise, mas uma delas tornar-se-á tema primordial para as gerações futuras, sobretudo nos terrenos do anedotário: o de a Alemanha ser, em 2015, liderada por um homem que não tem vergonha em se maquilhar e de se vestir de mulher ( e ainda bem), e por um Mabuse que se deixou de fantasmagorias e leituras da mente para se refastelar numa cadeira de rodas e de aí exercer o seu ofício de tirania.


Independence Day 2? Lá estaremos, com todo o gosto






algures em 1982




Estou com preguiça de ir ao VLC procurar aquele fabuloso plano geral da Nomi no topo de um edifício com Las Vegas aos seus pés.

"ai os Valores no futebol que se estão a perder..." = "ai os anos setenta..."


Não sei o que me delicia mais: se ver os benfiquistas a desejarem ao Maxi as trevas eternas, -nos casos mais moderados a própria morte e nos mais extremos o de ele ser obrigado a estar numa sala a ver "As mil e uma noites" do Miguel Gomes e, após o fim da projecção, dizer "não, não gostei"-, desconsolados por verem os "meus queridos filhos em lágrimas com a traição desse filho de uma granda puta!"; se ver os portistas mais "puristas", dignos de um comité central do PCP, furiosos com a contratação do rapaz, a amandarem para a arena os habituais lugares comuns do "FCP já não é o que era", "falta de memória", e o inevitável "falta de mística" (isto de mística é o quê? come-se?). Ainda por cima, ambas estas quadrilhas não têm pruridos em difamarem este homem santo, um jogador duro mas sempre nos limites do respeito pelos colegas adversários,


e que já anteriormente demonstrava, de forma um pouco desajeitada, as suas vontades futuras.


Que marque na Luz, depois de rebentar com o Gaitán, e que ponha mais filhos a chorar e mais portistas monásticos em retiro. Pó caralho.

Pó ano quero o Jonas e o Iniesta.



sábado, 11 de julho de 2015

Aqui há umas semanas.

Pedro Passos Coelho liga a Jorge Barreto Xavier:

Jorge Barreto Xavier: Tou, pá. Ei, ó Pepê, já sei, pá, eu ia ligar-te não tarda…

Pedro Passos Coelho: Ias ligar, ias. Tá bem, abelha. Ainda queriam um ministério.

JBX: Desculpa lá, meu, aquela cena da DGA, que pincel.

PPC: DGA?! Olha-me este, tão pouco que fazer…não ficas contente com tempo livre? Deixa lá as cartas de condução, parece que já fazem 4 por semana, aquilo tá a andar.

JBX: Não, Pepê, tou a falar de… Por acaso os meus vizinhos do ACP tão-me sempre a moer por causa disso das cartas.

PPC: Caga nisso. Escuta: como é que tamos de cinema?

JBX: Cinema? Sei lá, a merda do costume, só merda.

PPC: Pois, isso imagino eu. Mas há aí alguma coisa que preocupe para as eleições? Essa malta do cinema é maluca.

JBX: Deixa cá ver… O do António-Pedro Vasconcelos deve tar a rebentar.

PPC: Ui, Soraia Chaves?

JBX: Ya. Entra.

PPC: Tão boa…

JBX: (supirando) Foda-se…

PPC: Mas isso não é sobre a TAP, não? Tão chato, o gajo. Mas ele pensa que a gente lhe arranja os filmes para quê? Temos que começar a dar a outros, pá.

JBX: Não, acho que não, acho que é tipo Capra com umas pinceladas de Reitman filho.

PPC: Hã?

JBX: É na boa.

PPC: OK. E mais?

JBX: Pá, assim de repente não… Ei, foda-se, vais foder-me a cabeça. Vão estrear os três filmes do Miguel Gomes. São sobre a crise e sobre Portugal e os problemas sociais e económicos…

PPC: Caralho, Xavi! Não tens nada para fazer, meu!! Só te peço duas ou três coisas e aleijas-me assim?! Um filme para me moer o juízo? Só me fodes, pá, caixa de óculos, filho da puta!

JBX: My bad…

PPC: Hã?

JBX: Culpa minha, pá… Quer dizer, não sei se isso não foi no tempo do outro já. Se calhar tás a ser injusto comigo, Pepê.

PPC: Vocês são todos a mesma merda, só fodem guito com esterco. Esta merda é um trabalho a longo prazo, mas esses filmes têm que acabar. Se a não existência dum filmes destes fizer com que haja menos um voto à esquerda já vale a pena. Eu até ouço malta da cultura sempre a falar nestas cenas a longo prazo e chegas tu e fodes-me assim.

JBX: Foi o outro. Comigo é Soraia Chaves.

PPC: Nua?

JBX: Não sei, não vi.

PPC: Nada… Não sabes nada… E alguém vai ver esses filmes do Miguel Ângelo?

JBX: Gomes.

PPC: Bibota, hehe.

JBX: Hã?

PPC: Nada, pá, foda-se. Alguém vai ver isso ou não?

JBX: Capaz, isso tá a ser falado. Nos jornais e assim.

PPC: Cum caralho… Mais valia não ter ligado. Vou-me deitar um bocadinho.


JBX: Bom descanso, Pepê. Vá, aquele abraço…

sexta-feira, 10 de julho de 2015

era só rir com os Cahiers nos anos cinquenta


Vereda Tropical, 1977


E em 2015 descobrimos um dos nossos novos amos: Joaquim Pedro de Andrade. Nem o Ming Liang foi tão longe. E melhor ainda: totalmente descomplexado, como se tudo se resumisse ao natural fluir da vida. Vou já comprar duas melancias. Para comer, seus filhos da punheta.